Ministério Público Arquivou Processo da Morte de 6 Bombeiros…
O Ministério Público da Guarda arquivou o processo de inquérito sobre o trágico incêndio que ocorreu no dia 9 de Julho de 2006 em Famalicão da Serra e provocou a morte de cinco sapadores chilenos e de um bombeiro da secção avançada de Famalicão dos Bombeiros Voluntários de Gonçalo.
“Como se apurou no inquérito, o incêndio teve origem meramente acidental durante a realização de trabalhos de limpeza”, afirma o procurador no despacho de arquivamento citado pelo Jornal Público de sexta-feira, 20 de Abril. 
Apesar de naquele dia o termómetro ter subido até aos 33 graus centígrados e de a humidade relativa estar nos 24 por cento, o procurador subscreveu as afirmações do dono da propriedade onde o incêndio começou, um engenheiro agrário, que afirmou que o Verão é a época do ano “mais apropriada” para limpar terrenos e defendeu que “não é previsível” que faíscas de motorroçadoras sejam causadoras de um fogo.
O trabalhador que manobrava a motorroçadora, um jovem de 18 anos, residente em Famalicão da Serra, foi constituído arguído, enquanto que o proprietário foi ouvido com testemunha.
O jovem foi detido pela GNR na tarde do dia em que ocorreu o incêndio, por suspeita de fogo negligente, podendo ser punido com pena de prisão até cinco anos. No dia seguinte foi submetido a um primeiro interrogatório judicial, ficando em liberdade, mas sujeito a Termo de Identidade e Residência.
Reacções distintas
Ao ter conhecimento do arquivamento do processo por parte do Ministério Público, o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito da Guarda (FBDG), Madeira Grilo, disse esperar que o incêndio seja um exemplo para que “os erros cometidos não voltem a repetir-se no futuro”.
“Esperemos que este ano, o equipamento de defesa e protecção individual possa já ser utilizado por todos aqueles que combatem os fogos florestais”, disse Madeira Grilo.
Sobre a decisão judicial, afirmou que não tem “nada a apontar”. “Quem decide é a justiça, é independente e temos que aceitar todas as suas decisões”, justifica.
Por sua vez Orlindo Cabeças, comandante dos Bombeiros Voluntários de Gonçalo referiu que a decisão do Ministério Público não o apanhou de surpresa: “Não fiquei surpreendido, porque realmente, sabemos como é que o incêndio começou”.
“Não podem dizer que foi de propósito, porque o rapazito andava a trabalhar com a motorroçadora, que largou uma faísca, o que é uma situação que acontece esporadicamente”, justificou.
Orlindo Cabeças lamenta, contudo, que “o incêndio tivesse ganho as proporções que ganhou e que tivesse havido o azar que houve”.
“É com alguma surpresa que tomo conta do arquivamento”, disse António Fontes, o presidente da Junta de Freguesia de Famalicão. “Sempre julguei que houvesse mais alguns desenvolvimentos, mas como ficou por aqui, quem sou eu para por isso em causa”, acrescentou.
O autarca disse ainda que neste processo “o grande prejuízo sãos as mortes, porque a questão do mato é irrelevante”.
“A culpa acaba por morrer solteira, embora haja que lamentar as mortes”, admitiu.
Já o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Joaquim Valente, que também preside à Comissão Municipal Especializada de Fogos Florestais, declarou ao Jornal A Guarda que atendendo aos contornos em que o incêndio ocorreu não foi “surpreendido pela decisão”.
“Não é um caso em que há uma vontade expressa de lançar um incêndio”, apontou o autarca salientando que “o Ministério Público assim o entendeu e temos que respeitar as decisões dos Tribunais”.
No incêndio de Famalicão da Serra faleceram cinco sapadores chilenos com idades entre os 22 e 30 anos que faziam parte de uma equipa helitransportada da Afocelca, sedeada na zona de Penamacor e o bombeiro Sérgio Rocha, 26 anos, residente na freguesia.
fonte: jornal a guarda
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