domingo, 17 de junho de 2007

A sinistralidade rodoviária está a agravar-se dentro das localidades portuguesas, sobretudo em relação aos peões, que representam já 17,4 por cento do total das vítimas mortais em acidentes de viação.
Só no passado mês de Abril, oito peões morreram e 54 ficaram feridos com gravidade em atropelamentos ocorridos dentro das localidades.

Os números, da Direcção-Geral de Viação (DGV), revelam que, face a igual período de 2006, morreram mais três peões e ficaram gravemente feridos mais 23. Em Março deste ano, ainda dentro das localidades, ficaram gravemente feridos 49 peões, mais dez do que em 2006.

Segundo a DGV, entre Janeiro e Abril deste ano, já morreram ou ficaram gravemente feridos 211 peões – mais 21 do que em 2006 – dentro das localidades e fora delas a situação não é melhor, pois já morreram ou ficaram feridos com gravidade 46 peões, mais dez do que em igual período do ano passado.

“Cerca de 17,4 por cento do total de mortos registados no período de Janeiro a Abril foi peões, sendo que 65,2 por cento destas vítimas resultou de acidentes ocorridos dentro das localidades”, frisa a DGV na sua análise mensal.

Em 2006, morreram 88 peões atropelados dentro das localidades; destes 13 foram colhidos mortalmente em passadeiras. Ficaram feridas com gravidade 548 vítimas, sendo que 158 foram atropeladas em passadeiras. Quanto a casos de ferimentos ligeiros, a DGV totalizou 5612 peões.

Este ano, a DGV já regista 1654 peões ligeiramente feridos, mais 30 do que em 2006.

Quanto à restante sinistralidade, este ano regista-se um decréscimo no número de acidentes de viação (10 655, o que representa menos 59 do que em 2006) e no número de feridos graves (935, menos 116) e ligeiros (12 803, menos 183); mas o número de mortos (265) aumentou em mais 15 vítimas.

A DGV sublinha também que, nos primeiros quatro meses do ano, e face a 2006, a sinistralidade rodoviária mortal regista um agravamento de 11 por cento dentro das localidades e de 2,1 por cento fora delas.

PARTICIPAÇÕES VÃO ESTAR ON-LINE

As participações dos acidentes de viação vão passar a ser feitas em formato digital e a estar on-line, nomeadamente para as seguradoras e envolvidos nos sinistros, a partir de meados do próximo semestre, disse ontem, em Leiria, o major Pereira Leal, chefe da Secção de Investigação Criminal da Brigada de Trânsito (BT) da GNR. A medida faz parte do Sistema Integrado de Informação Operacional (SIIOP), que prevê também a realização de croquis à escala, mediante a utilização de uma aplicação informática ainda em experimentação. Desde há dois anos que o SIIOP tem vindo a ser implementado, com a instalação faseada de equipamento informático nos destacamentos da BT da GNR, o que tem “custos elevados, que deveriam ser em parte suportados pelas seguradoras, já que são elas que ‘lucram’ com o sistema”, defendeu Pereira Leal, à margem do congresso ‘O Sinistro Rodoviário”. “Uma das nossas fragilidades resulta de cada um ter a sua ‘capelinha’: A BT investiga os acidentes e as seguradoras usam os seus relatórios para as acções que levam a tribunal”, explicou.

CONDUÇÃO DE RISCO

FENÓMENO SOCIAL

Os acidentes de viação são um “problema de saúde pública” e um “fenómeno social”, disse o major Pereira Leal, da BT-GNR, adiantando que no ano passado houve três mortos por dia nas estradas portuguesas.

RECONSTITUIÇÃO

A reconstituição dos acidentes é essencial para apurar as causas. “É difícil que tenha havido só uma causa, mas só uma é a principal, sem a qual o acidente não teria ocorrido”, explicou.

CONDUTOR CULPADO

Os condutores são culpados de 91 por cento dos acidentes de viação que provocam mortes, sendo que as restantes causas decorrem das condições das estradas (6%) e do carro (2%).

SAIBA MAIS

- 13 atropelamentos com fuga foram registados entre Janeiro e Abril deste ano; mais três face a igual período do ano passado.

- 1871 peões foram atropelados em passadeiras durante 2006 e registaram ferimentos ligeiros. Destes, cem desrespeitaram a sinalização rodoviária, ou seja, terão atravessado quando o sinal estava vermelho.

PEÃO

Para a DGV, peão é toda a pessoa que transita na via pública a pé ou que conduza à mão velocípedes ou ciclomotores de duas rodas sem carro atrelado ou carros de crianças ou de deficientes físicos.


IDADE

Dos 45 peões mortos este ano, quatro tinham menos de 14 anos, dez tinham entre 30 e 39 anos, cinco tinham entre 40 a 49 anos, sete entre 60 e 64 anos e 19 tinham mais de 65 anos.

Bombeiros de Foz Côa - Tel. 279 768 100; Mail - bombeirosfozcoa@hotmail.com

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